Pantanal bíblica? Record tem novela nada ‘mundana’ nas mãos; entenda

O fracasso de Reis acende um alerta vermelho na Record que, todavia, pode até ver uma saída se olhar para a concorrência em busca de soluções. Pantanal talvez seja uma novela um tanto “mundana” para a rede de Edir Macedo, mas a audiência da Globo enche os olhos. Um olhar mais treinado, inclusive, também é capaz de perceber pontos em comum entre o folhetim de Bruno Luperi e a Bíblia.

A ideia está longe de ser uma heresia, já que a cosmogonia cristã é fundamental na obra de Benedito Ruy Barbosa. A influência não está apenas na figura do diabo que encarna em Trindade (Gabriel Sater), mas também em uma série de outros elementos –comuns a teledramaturgia como um todo.

Os Dez Mandamentos (2015) não é necessariamente a primeira trama a adaptar o arco de Moisés, uma vez que ele é fundamental para a jornada do herói. O termo foi cunhado pelo antropólogo Joseph Campbell (1904-1987) na busca pelos pontos em comum nas vidas e obras de figuras centrais de diversas religiões –de Cristo a Buda.

Ele reuniu doze passos que se tornaram uma espécie de guia para se contar uma boa história. Um deles, curiosamente, chama-se “na barriga da baleia” em referência a uma das passagens bíblicas mais conhecidas e que também encontra ecos em Pantanal. Trata-se do Livro de Jonas.

Levi (Leandro Lima) foi devorado por piranhas como castigo, e o profeta passou um tempo dentro do estômago de um peixe como um “cantinho do pensamento” por discordar da missão de Deus. O texto sagrado para os cristão não especifica um cetáceo (mamífero aquático) como se popularizou.

Copia e cola

A Record sempre ficou de olho nos concorrentes para copiar tendências que já tinham dado certo. A Terra Prometida (2015) trouxe uma Kalesi (Juliana Silveira) inspirada em Game of Thrones (2011-2019). Por sua vez, Maria Antônia (Michelle Batista) em Amor Sem Igual (2019) também tinha um perfil nas redes, assim como a Vivi (Paolla Oliveira) de A Dona do Pedaço (2019).

Jonas é só mais uma das passagens bíblicas da qual a emissora poderia se aproveitar para pegar o embalo de assuntos que estão em alta em Pantanal. O profeta Zacarias também traz outra oportunidade pela proximidade com Muda (Bella  Campos), já que perdeu a voz temporariamente por duvidar dos planos divinos.

A própria parábola do filho pródigo, proferida por Jesus no Evangelho de Lucas, tem uma profunda ligação com a disputa entre os filhos de José Leôncio (Marcos Palmeira) –e não só pela sela de prata.

O bígamo Tenório (Murilo Benício) encontra ecos em Lameque, um dos personagens mais controversos do já adaptado livro de Gênesis. Eles não só se dividem entre duas mulheres como também partilham o instinto assassino, já que o descendente de Caim é considerado o “segundo homicida” do Velho Testamento.

A questão é se a Record vai ser rápida em dar uma resposta para os desejos do público ou continuará a insistir nas temporadas de Reis. A primeira e a segunda não foram bem-sucedidas, mas há até uma sexta em planejamento –possivelmente prolongando a dor de cabeça até 2023.

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