Marcius Melhem atacou atriz da Globo de toalha e pênis ereto, diz revista

Uma atriz da Globo afirmou que Marcius Melhem a prendeu contra a parede e tentou à força beijá-la. Disse ainda que mantinha os lábios cerrados enquanto o humorista a atacava apenas de toalha e com o pênis ereto. Diante da resistência dela, o ator se vestiu e deixou o quarto de hotel onde ela estava hospedada. A descrição faz parte de uma nova reportagem da revista Piauí publicada nesta segunda-feira (14). A publicação afirma que levou 172 dias para conseguir liberação na Justiça para expor a nova denúncia. 

Sem citar nomes da vítima, a revista detalha o assédio do ator contra a colega de elenco do Tá no Ar: a TV na TV (2014-2019). O fato teria acontecido em 27 de novembro de 2014, em meio às gravações da nova temporada do humorístico. Melhem teria pedido à atriz para tomar banho no quarto dela, em um flat na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, antes de uma confraternização do elenco. 

“Ela achou o pedido um pouco esquisito, mas entendeu que não tinha como negar o favor. Afinal, Melhem era seu chefe. Para desestimular qualquer investida inadequada, ela fez questão de informar que uma colega do Tá no Ar também estava chegando ao flat”, diz trecho da reportagem da revista. 

No relato, ela conta que o ator não se importou e que ao chegar ao quarto foi direto para o banheiro. Minutos depois, Melhem surgiu com uma toalha enrolada na cintura e o pênis ereto e partiu para cima da atriz. Ele a imprensou contra a parece e tentou beijá-la à força, enquanto ela desviava o rosto e mantinha os lábios cerrados. 

“Diante da resistência da atriz, Melhem soltou-a, vestiu-se e encaminhou-se para a suíte onde se encontrava o elenco do Tá no Ar. Sozinha em seu flat, a atriz teve uma crise de choro, mas se recompôs e manteve o compromisso: foi à festa dos colegas de equipe”, diz outro trecho do texto. 

A atriz é uma das oito mulheres que acusaram publicamente o humorista de assediá-las sexualmente e até moralmente. Das oito, seis depuseram por videochamada e duas por escrito. Todas são ex-subordinadas de Melhem, que durante anos ocupou o cargo de diretor do Humor da Globo. O ator sempre se declarou inocente das acusações. 

A revista Piauí obteve acesso a trocas de mensagens via WhatsApp do ator com atriz dias após o episódio no hotel. Nelas, o ator pergunta se ela quer receber uma visita, se havia passado o constrangimento e que daria três tapas nela na próxima gravação para ela poder relaxar. 

Ela respondeu que não havia passado o constrangimento, tentou mudar de assunto e parou de responder quando ele disse que estava passando em frente ao flat, indicando uma sugestão de que queria que a atriz o convidasse a entrar. A conversa consta nos autos do inquérito. 

O caso do flat se junta a outros que aconteceram entre 2010 e 2019 em diferentes locais: Estúdios Globo, Hahahouse (onde os redatores dos programas de humor se reuniam) e o bar Vizinha 123, local em que Dani Calabresa teria sido assediada por Melhem. 

Na época, Calabresa procurou o compliance da emissora para fazer a denúncia. A atitude dela foi seguida por outras mulheres que descreveram ao departamento da Globo as tentativas do diretor de agarrá-las à força, além de receberem mensagens inconvenientes e reclamar que o ambiente de trabalho era muito tóxico. 

Em janeiro deste ano, a Globo decidiu arquivar a denúncia de assédio sexual e moral de Dani Calabresa contra o ator. De acordo com o colunista do UOL Ricardo Feltrin, eles entenderam não ter conseguido confirmar a autenticidade das denúncias. 

A reportagem da Piauí cita ainda que Melhem recebia atrizes de “cueca, com as calças abaixadas ou sem calças”. Também chamava algumas de “piranha” e dizia que elas deveriam lhe agradecer com um boquete por tê-las contratado para a Globo, além de pegar as mãos das mulheres e colocar em sua genitália. 

Em seu depoimento à Delegacia de Atendimento à Mulher, segundo a publicação, o ex-diretor da Globo negou e relativizou as acusações. Disse não ter compulsão sexual, se declarou católico e devoto de Nossa Senhora de Fátima, afirmou que sempre respeitou as mulheres com as quais trabalhou e nunca usou seu poder e influência em troca de sexo ou boicotou a carreira artística de quem quer que seja. Também esclareceu que não tinha poder absoluto para contratar e definir salários ou escala de trabalho. 

O ator disse ainda que, entre as oito vítimas que o denunciaram, ele teve “relacionamento durante mais de um ano” com uma delas, e “relacionamento por uma noite” com outras três, sempre em termos consensuais. 

Saída honrosa 

Em outro trecho da reportagem, a revista Piauí revela que a saída de Marcius Melhem não teria sido motivada por questões pessoais ou por uma crise. Em seu depoimento, indagado sobre o motivo de sua saída da Globo, o ator afirmou que “ficou nos Estados Unidos por cinco meses e, quando voltou, a Globo disse que o contrato não foi renovado devido à crise. Os projetos de humor já não interessavam em agosto de 2020, e, como a Globo não tinha mais interesse no projeto, houve a sua saída da emissora de comum acordo.” 

Em agosto de 2020, Marcius Melhem foi dispensado da Globo. Ele estava afastado desde o mês de março daquele ano alegando motivos pessoais, mas a demissão ocorreu após as denúncias de assédio por parte de Dani Calabresa e Maria Clara Gueiros, em 2019. 

A versão seguiu a linha dada pela Globo em comunicado à imprensa sobre o desligamento dele da emissora após 17 anos de parceria. “Como todos sabem, a Globo tem tomado uma série de iniciativas para se preparar para os desafios do futuro e, com isso, adotado novas dinâmicas de parceria com atores e criadores em suas múltiplas plataformas. Os conteúdos de humor, assim como os de dramaturgia diária e semanal, continuam sob a liderança de Silvio de Abreu, diretor de Dramaturgia da Globo.” 

A revista piauí, porém, afirma que teve acesso a dois emails internos da Globo. O primeiro de 6 de janeiro de 2020, assinado por Mônica Albuquerque, então chefe do Desenvolvimento e Acompanhamento Artístico (DAA), o órgão ao qual os artistas recorrem para apresentar suas queixas, e endereçado a Helcio Alves Coelho, advogado da Globo e membro do Departamento de Compliance da emissora. 

Nele, ela reporta que o problema de Dani Calabresa parecia ser de “instabilidade emocional decorrente de frustrações no trabalho” e o de Melhem tratava-se de um “gap de gestão”. Dizia ainda que a atriz não pretendia prestar queixa formal contra Melhem, que, por sua vez, mostrava-se disponível para se reencontrar com a atriz e “reconstruir uma relação”. 

Em 23 de janeiro, Albuquerque manda novo email ao advogado, agora em cópia a Marcelo Vilhena, então gerente de Compliance do Grupo Globo, no qual comunica o registro de outros relatos e que o assunto não se tratava apenas de um mero “gap de gestão”. Ela sugere que a Comissão de Ética e Conduta da Globo seja acionada e diz que Calabresa está disposta a formalizar uma queixa contra Melhem no compliance. 

Na sequência, Calabresa conversa com Carlos Henrique Schroder, conta seu caso de assédio e afirma que não era a única vítima. Na época, ele determinou que o compliance assumiu as investigações. 

A piauí teve acesso a outro email, datado de 16 de março, no qual Coelho afirma que conversou com as vítimas e que Melhem deveria ser demitido imediatamente do cargo de diretor de humor e ser suspenso de suas funções como ator e roteirista: “Com base na apuração realizada, a Comissão de Ética e a gestão da empresa decidiram pela rescisão imediata do contrato do executivo, perdendo desta forma o seu cargo de gestão, e pela suspensão por quatro meses dos seus contratos de ator e roteirista. Após o período de afastamento, Carlos Henrique Schroder avaliará o seu retorno”. 

Além dos emails, a revista ainda obteve documento oficial da Globo no qual informava à Delegacia de Atendimento à Mulher, em 31 de janeiro, que o ator fora punido com demissão “tendo em vista as alegações de práticas abusivas por parte do sr. Marcius Melhem”. Assinada por Ana Carolina Bueno Junqueira Reis, diretora do compliance da emissora, a carta ainda cita o “afastamento completo do profissional por um período de 180 dias”. 

Procurada pela piauí, Albuquerque disse que só acompanhou o caso enquanto esteve no âmbito do DAA, pois o compliance conduz suas investigações sob sigilo. Ela conta que, quando a Globo anunciou o afastamento de Melhem em março de 2020, achou que a emissora deveria ter sido mais específica. A reportagem procurou ainda Schroder que não respondeu às solicitações. Já a direção da Globo disse que não se manifesta sobre questões de compliance ‘em razão do compromisso de sigilo previsto em nosso Código de Ética”. 

Marcius Melhem mandou apenas uma nota, assinada por seus advogados, para a revista. “A revista piauí se tornou assessora de imprensa da acusação. Não apura corretamente fatos importantes, publica inverdades, ignora provas e sequer faz desmentidos de situações comprovadamente falsas. Agora publica uma matéria seis meses desatualizada de informações fundamentais que a investigação trouxe à tona. Sendo assim, que publique as suas inverdades e distorções. A Justiça a desmentirá.” 

Ao analisar as trocas de emails de Albuquerque, do advogado e da carta enviada à delegacia, a revista sugere que a demissão de Marcius Melhem não teria sido motivada por “motivos pessoais”, mas que o compliance da Globo confirmou práticas abusivas graves e pediu o desligamento imediato do humorista. A piauí ressalta que não há menção expressa a assédio sexual ou moral no conteúdo acessado pela publicação e que a carta não explica quais foram as práticas abusivas do ator. 

Para a revista, a gravação de Daniela Ocampo, número 2 do humor da Globo e braço direito de Melhem, é importante para entender o caso. No áudio de Ocampo, à qual a piauí teve acesso e gravado no primeiro semestre de 2020, ela confirma que Melhem assediava sexualmente suas subordinadas e dá a entender que as suspeitas apuradas pelo compliance eram mais pesadas do que pareciam. 

“Eu achava que eram pessoas que tinham ido no compliance falar ‘Cara… é, ele já me cantou, ou ele já me empurrou contra a parede e tentou me dar um beijo’. Essas histórias que eu via que o Marcius fazia, sabe?” Em outro trecho, ela diz que o próprio Schroder lhe contou que o ator fora punido pelo compliance. 

“Estava no Projac [antigo nome dos Estúdios Globo] e fui na sala dele e ele me falou essa história que ele [Melhem] não foi absolvido [pelo compliance], que ele tinha negociado a narrativa da saída dele, que oito pessoas tinham ido falar contra ele…”, disse Ocampo, que recusou falar com a revista: “Caso corre em segredo de Justiça, e eu não me sinto à vontade, nem apta, na real, para falar sobre isso.” 

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